A merenda escolar está se tornando cada vez mais nutritiva, com uma redução gradual dos produtos ultraprocessados nas refeições dos estudantes da rede pública da Prefeitura de Nova Iguaçu. Esse esforço é promovido pelas equipes de nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação em 151 instituições educacionais, anterior à divulgação, em fevereiro passado, das novas diretrizes pelo Ministério da Educação.
Um exemplo dessa mudança é o clássico estrogonofe de carne, que agora incorpora biomassa de banana verde na receita, aumentando o teor de fibras da refeição. Essa alteração é apenas uma das diversas inovações que estão tornando a alimentação escolar na cidade mais equilibrada e saudável.
Com a nova elaboração do cardápio, neste ano, as 151 unidades da rede municipal de ensino começaram a disponibilizar refeições que atendem às orientações do Governo Federal, que estabelecem um limite de até 15% no uso de ultraprocessados nas merendas escolares. A meta é incentivar uma alimentação mais saudável para apoiar o crescimento físico e cognitivo das crianças.
Na Escola Municipal de Educação Infantil Casa da Criança, em Miguel Couto, além do estrogonofe com biomassa de banana verde, outras modificações também se destacam. Os sucos, por exemplo, são realizados com polpa integral, os molhos são isentos de conservantes, e o achocolatado foi trocado por cacau 50%, mais saudável e com menor quantidade de açúcar.
“A adição de biomassa de banana verde ao estrogonofe aumenta a quantidade de fibras e substitui a farinha de trigo ou o amido como agente espessante. Dessa forma, conseguimos tornar a receita mais saudável e nutritiva, eliminando ultraprocessados como o creme de leite”, comentou a nutricionista Margareth Pereira Mendonça.
Além dessas inovações, outros itens foram incorporados ao menu das escolas municipais, como a inclusão de tubérculos (aipim e batata-doce) no café da manhã, pão de batata-doce (com baixo índice glicêmico), bananada sem açúcar preparada com frutas da Agricultura Familiar, e o açaí, que tem se tornado bastante popular entre os alunos como uma alternativa saudável e energética.
A nutricionista Adriana do Carmo da Silva Cabral enfatizou a relevância das mudanças na alimentação escolar, tanto pelo sabor quanto pelos benefícios à saúde. “O consumo em excesso de ultraprocessados pode resultar no aparecimento de enfermidades crônicas, como diabetes, obesidade e hipertensão. Ademais, a escassez de nutrientes impacta a concentração e o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. Estamos formando adultos mais saudáveis e conscientes desde a infância”, apontou.
Aceitação dos estudantes
As transformações não passaram despercebidas pelos alunos. Lucas Isaac Bispo dos Santos, de 5 anos, já identificou seus pratos preferidos: “Eu gosto muito de brócolis e abóbora. Comer frutas e vegetais é ótimo para crescer e ficar forte”, disse ele, animado.
A cozinheira Jamile Valéria da Silva Luz Ferreira sente satisfação ao observar a empolgação das crianças. “É muito gratificante ver os pequenos experimentando e começando a apreciarem alimentos que antes desconheciam. Essa experiência deixa marcas e é uma felicidade para toda a equipe”, relatou.
Para a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Casa da Criança, Marcele Pontes da Silva, a influência da alimentação na rotina escolar foi benéfica: “Aqui, a alimentação escolar transcende o ato de comer. É uma lição, uma transformação que início no prato e se reflete nas vidas deles. Até mesmo os pais ficam surpresos ao descobrir que seus filhos estão consumindo verduras e legumes”, concluiu a diretora.